Geodiversidade e a distribuição de espécies nativas no sistema de Tandilia (Argentina)
- Autores
- Franzóia Moss, Daniella; Linares, Santiago; Burigo Guimarães, G.
- Año de publicación
- 2024
- Idioma
- español castellano
- Tipo de recurso
- documento de conferencia
- Estado
- versión publicada
- Descripción
- O Sistema de Tandilia é um conjunto de elevações, com perto de 350 km de extensão e quase 530 metros de altitude máxima, que se estende de NW para SE, de Olavarría até Mar del Plata, na província de Buenos Aires (Argentina). A origem de seu substrato rochoso está vinculada à evolução paleoproterozoica do Cráton Rio de La Plata e posteriormente com a implantação de uma cobertura sedimentar neoproterozoica a eopaleozoica, controlando a evolução de um relevo desenhado por processos de erosão e sedimentação, culminando em um tipo fisiográfico constituído por serras, colinas e planície. Com o objetivo de compreender a distribuição de espécies nativas da região e assim a relação entre a geodiversidade e a biodiversidade regional, este trabalho, inserido em um estudo mais amplo sobre o tema, traz uma caracterização dos principais aspectos geológicos e geomorfológicos do Sistema. Os procedimentos operacionais incluíram revisão bibliográfica de estudos abióticos e bióticos, além da obtenção de dados de campo, na região central do Sistema de Tandilia. Em termos geológicos, o Cráton Rio de La Plata apresenta três grandes conjuntos: o embasamento ígneo-metamórfico do Paleoproterozoico composto principalmente de gnaisses granítico-tonalíticos, migmatitos e anfibolitos, além de rochas ultramáficas e plútons graníticos, que formam o Complexo Buenos Aires, sendo as rochas mais antigas da Argentina (2,2-1,6 Ga); os sedimentitos neoproterozoicos do Grupo Sierras Bayas e da Formação Cerro Negro, compostos por litotipos clásticos e químicos variados, com mais de um ciclo transgressivo, com destaque para níveis carbonáticos estromatolíticos e diamictitos e; os sedimentitos clásticos, com expressiva assembleia de icnofósseis, pertencentes à Formação Balcarce, compostos por estratos sub-horizontais de ambientes marinhos costeiros, com níveis piroclásticos na base, além de diamictitos glaciais, com idade do Ordovicano ao Siluriano. Quanto ao relevo, mais ao leste, entre Balcarce e Mar del Plata, as serras apresentam um formato de meseta e mais ao centro assumem um padrão arredondado. Nas regiões de colina há a predominância de sedimentos cenozoicos, de constituição síltica variando a areia fina e argila, conformando depósitos de loess, tornando o solo da região um dos mais ricos do país. Em relação à hidrografia, na região serrana não há grandes arroios, ja que é uma zona de alta permeabilidade. Na zona de planície, lagos e arroios maiores estão presentes. O clima predominante é o temperado úmido, com uma média anual de 14°C e precipitação média anual de 800 mm. Quanto à biodiversidade local, o Sistema de Tandilia abriga mais de 600 espécies de plantas e mais de 145 espécies de vertebrados. Desta flora se destacam o cacto Parodia submammulosa, que habita a região serrana com afloramentos rochosos e o arbusto Mimosa tandilensis, que pode ser encontrado em todo a área investigada. Já para a fauna, o sapo Melanophryniscus nigricans é emblemático, vivendo apenas nos charcos serranos da parte central do Sistema de Tandilia, e o lagarto Liolaemus tandiliensis que pode ser encontrado em toda a extensão serrana do Sistema, onde há afloramentos rochosos. Portanto, no Sistema de Tandilia é possível demonstrar de modo consistente as relações de interdependência entre a geodiversidade e a biodiversidade, e deste modo como as características físicas de uma região podem influenciar a distribuição de espécies.
Fil: Franzóia Moss, Daniella. Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas. Centro Científico Tecnológico Conicet - Tandil. Instituto de Geografía, Historia y Ciencias Sociales. Universidad Nacional del Centro de la Provincia de Buenos Aires. Instituto de Geografía, Historia y Ciencias Sociales; Argentina
Fil: Linares, Santiago. Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas. Centro Científico Tecnológico Conicet - Tandil. Instituto de Geografía, Historia y Ciencias Sociales. Universidad Nacional del Centro de la Provincia de Buenos Aires. Instituto de Geografía, Historia y Ciencias Sociales; Argentina
Fil: Burigo Guimarães, G.. Universidade Estadual do Ponta Grossa; Brasil
51° Congreso Brasileiro de Geologia
Belo Horizonte
Brasil
Sociedad Brasileira de Geologia - Materia
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Biodiversidade
Geodiversidade
Sistema de Tandilia - Nivel de accesibilidad
- acceso abierto
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Com o objetivo de compreender a distribuição de espécies nativas da região e assim a relação entre a geodiversidade e a biodiversidade regional, este trabalho, inserido em um estudo mais amplo sobre o tema, traz uma caracterização dos principais aspectos geológicos e geomorfológicos do Sistema. Os procedimentos operacionais incluíram revisão bibliográfica de estudos abióticos e bióticos, além da obtenção de dados de campo, na região central do Sistema de Tandilia. Em termos geológicos, o Cráton Rio de La Plata apresenta três grandes conjuntos: o embasamento ígneo-metamórfico do Paleoproterozoico composto principalmente de gnaisses granítico-tonalíticos, migmatitos e anfibolitos, além de rochas ultramáficas e plútons graníticos, que formam o Complexo Buenos Aires, sendo as rochas mais antigas da Argentina (2,2-1,6 Ga); os sedimentitos neoproterozoicos do Grupo Sierras Bayas e da Formação Cerro Negro, compostos por litotipos clásticos e químicos variados, com mais de um ciclo transgressivo, com destaque para níveis carbonáticos estromatolíticos e diamictitos e; os sedimentitos clásticos, com expressiva assembleia de icnofósseis, pertencentes à Formação Balcarce, compostos por estratos sub-horizontais de ambientes marinhos costeiros, com níveis piroclásticos na base, além de diamictitos glaciais, com idade do Ordovicano ao Siluriano. Quanto ao relevo, mais ao leste, entre Balcarce e Mar del Plata, as serras apresentam um formato de meseta e mais ao centro assumem um padrão arredondado. Nas regiões de colina há a predominância de sedimentos cenozoicos, de constituição síltica variando a areia fina e argila, conformando depósitos de loess, tornando o solo da região um dos mais ricos do país. Em relação à hidrografia, na região serrana não há grandes arroios, ja que é uma zona de alta permeabilidade. Na zona de planície, lagos e arroios maiores estão presentes. O clima predominante é o temperado úmido, com uma média anual de 14°C e precipitação média anual de 800 mm. Quanto à biodiversidade local, o Sistema de Tandilia abriga mais de 600 espécies de plantas e mais de 145 espécies de vertebrados. Desta flora se destacam o cacto Parodia submammulosa, que habita a região serrana com afloramentos rochosos e o arbusto Mimosa tandilensis, que pode ser encontrado em todo a área investigada. Já para a fauna, o sapo Melanophryniscus nigricans é emblemático, vivendo apenas nos charcos serranos da parte central do Sistema de Tandilia, e o lagarto Liolaemus tandiliensis que pode ser encontrado em toda a extensão serrana do Sistema, onde há afloramentos rochosos. Portanto, no Sistema de Tandilia é possível demonstrar de modo consistente as relações de interdependência entre a geodiversidade e a biodiversidade, e deste modo como as características físicas de uma região podem influenciar a distribuição de espécies.Fil: Franzóia Moss, Daniella. Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas. Centro Científico Tecnológico Conicet - Tandil. Instituto de Geografía, Historia y Ciencias Sociales. Universidad Nacional del Centro de la Provincia de Buenos Aires. Instituto de Geografía, Historia y Ciencias Sociales; ArgentinaFil: Linares, Santiago. Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas. Centro Científico Tecnológico Conicet - Tandil. 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O Sistema de Tandilia é um conjunto de elevações, com perto de 350 km de extensão e quase 530 metros de altitude máxima, que se estende de NW para SE, de Olavarría até Mar del Plata, na província de Buenos Aires (Argentina). A origem de seu substrato rochoso está vinculada à evolução paleoproterozoica do Cráton Rio de La Plata e posteriormente com a implantação de uma cobertura sedimentar neoproterozoica a eopaleozoica, controlando a evolução de um relevo desenhado por processos de erosão e sedimentação, culminando em um tipo fisiográfico constituído por serras, colinas e planície. Com o objetivo de compreender a distribuição de espécies nativas da região e assim a relação entre a geodiversidade e a biodiversidade regional, este trabalho, inserido em um estudo mais amplo sobre o tema, traz uma caracterização dos principais aspectos geológicos e geomorfológicos do Sistema. Os procedimentos operacionais incluíram revisão bibliográfica de estudos abióticos e bióticos, além da obtenção de dados de campo, na região central do Sistema de Tandilia. Em termos geológicos, o Cráton Rio de La Plata apresenta três grandes conjuntos: o embasamento ígneo-metamórfico do Paleoproterozoico composto principalmente de gnaisses granítico-tonalíticos, migmatitos e anfibolitos, além de rochas ultramáficas e plútons graníticos, que formam o Complexo Buenos Aires, sendo as rochas mais antigas da Argentina (2,2-1,6 Ga); os sedimentitos neoproterozoicos do Grupo Sierras Bayas e da Formação Cerro Negro, compostos por litotipos clásticos e químicos variados, com mais de um ciclo transgressivo, com destaque para níveis carbonáticos estromatolíticos e diamictitos e; os sedimentitos clásticos, com expressiva assembleia de icnofósseis, pertencentes à Formação Balcarce, compostos por estratos sub-horizontais de ambientes marinhos costeiros, com níveis piroclásticos na base, além de diamictitos glaciais, com idade do Ordovicano ao Siluriano. Quanto ao relevo, mais ao leste, entre Balcarce e Mar del Plata, as serras apresentam um formato de meseta e mais ao centro assumem um padrão arredondado. Nas regiões de colina há a predominância de sedimentos cenozoicos, de constituição síltica variando a areia fina e argila, conformando depósitos de loess, tornando o solo da região um dos mais ricos do país. Em relação à hidrografia, na região serrana não há grandes arroios, ja que é uma zona de alta permeabilidade. Na zona de planície, lagos e arroios maiores estão presentes. O clima predominante é o temperado úmido, com uma média anual de 14°C e precipitação média anual de 800 mm. Quanto à biodiversidade local, o Sistema de Tandilia abriga mais de 600 espécies de plantas e mais de 145 espécies de vertebrados. Desta flora se destacam o cacto Parodia submammulosa, que habita a região serrana com afloramentos rochosos e o arbusto Mimosa tandilensis, que pode ser encontrado em todo a área investigada. Já para a fauna, o sapo Melanophryniscus nigricans é emblemático, vivendo apenas nos charcos serranos da parte central do Sistema de Tandilia, e o lagarto Liolaemus tandiliensis que pode ser encontrado em toda a extensão serrana do Sistema, onde há afloramentos rochosos. Portanto, no Sistema de Tandilia é possível demonstrar de modo consistente as relações de interdependência entre a geodiversidade e a biodiversidade, e deste modo como as características físicas de uma região podem influenciar a distribuição de espécies. |
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